Leis e tradição devem favorecer a relação com Deus e entre o ser humano

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O Evangelho de hoje (Mc 7,1-13) da liturgia nos fala de seguir a tradição e leis.

O que não é nenhum mal e nem erro. Porém, o cuidado que devemos ter é quando a tradição se torna superior as leis de Deus e até mesmo a relação entre o ser humano e Deus e entre os próprios homens e mulheres.

Precisamos tomar cuidado, pois, as vezes algo que é colocado como tradição e deve ser seguido está cheio de erros ou, não condiz com a realidade que vivemos.

Tudo é e deve ser feito para aproximar o ser humano de Deus e promover a comunhão entre os homens e mulheres e não para afastar, causar divisão ou escravizar o ser humano. Corremos o risco de ficarmos escravos de leis, preceitos, achismos, de tradições criadas pelo ser humano e de tantas outras coisas.

Cristo, com sua morte e ressurreição na Cruz, nos tornou homens e mulheres livres.

Livres para louvar e orar a Deus a partir do nosso coração e não de costumes, tradições e leis que podem nos escravizar e nos por numa fôrma, para que, ignoremos nossa individualidade e nossa relação pessoal e íntima com Deus e vivamos conforme as fôrmas que nos são impostas por regras criadas pelo ser humano.

A tradição, as regras e leis são importantes, assim como formas de louvar e orar a Deus, mas devem servir ao ser humano e não o escravizar. A vida em sociedade para que seja construtiva é importante que tenha regras para garantir a boa convivência. Da mesma maneira na Igreja. É preciso seguir algumas regras de boa convivência, como por exemplo os ritos litúrgicos que garantem a harmonia de uma celebração.

Não seria possível durante a missa cada um fazer o que quiser. Seria uma torre de Babel. No entanto, o rito litúrgico, garantindo a boa convivência e facilitando a celebração em comunidade deve conduzir o ser humano, na sua individualidade e vida comunitária ao encontro e diálogo com Deus.

Por isso, muitos litúrgicos insistem que a música deve ser suave. Quando se tem um cantor, que a voz dele com a letra “inspirada” deve sobressair aos instrumentos e com isso, permitir que toda comunidade cante. Se cada um dentro da Igreja quiser cantar a seu modo, num tom diferente e cada músico ter seu instrumento num volume diferente. Com toda certeza não haverá harmonia e nem o bom convívio comunitário.

A vida comunitária, ou em sociedade, e de oração exige o cumprimento de algumas regras, porém, elas não devem escravizar o ser humano ou distanciá-lo da intimidade com Deus. Assim como no rito litúrgico, as regras ou leis sociais, devem favorecer o convívio e a relação entre as pessoas e não as distanciar ou sobrepor umas sobre as outras. Todos somos iguais perante Deus.

É importante destacar que a Igreja ao seguir a tradição, se orienta pelos ensinamentos deixados pelos Apóstolos, pelos primeiros Doutores da Igreja e pelo testemunho dos primeiros cristãos. É preciso tomar cuidado, pois muito que se afirma ser tradição na Igreja, muitas vezes foi usado, criados ou estabelecido como regra num determinado período, quando a realidade assim exigia.

Concluo com as palavras de Jesus Cristo que nos diz muito mais do que o texto acima:

Mateus 23,23: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem, contudo, deixar o restante”.

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