Todos os dias são para o Senhor

No Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus, no capítulo 12, do versículo primeiro ao oitavo, Jesus deixa claro que a lei não pode ser maior que o ser humano e que ela deve ser feita para ajudar o ser humano e não para torna-lo escravo dela.

Mas como podemos ter esta compreensão, se Jesus neste texto do Evangelho não fala de lei, mas sim do sábado.

É verdade, no entanto, se olharmos o contexto histórico, verificamos que havia leis no tempo de Jesus, feita pelos doutores da lei, que criava uma série de restrições aos judeus e uma delas era sobre o sábado, que não podia trabalhar neste, pois no entendimento deles é o dia do descanso.

Jesus mostra que a visão deles estava errada e apresenta a história de Davi, que com fome enquanto fugia da perseguição de Saul entrou no templo e comeu os pães.

As regras são importantes enquanto nos ajudam na convivência social, a promover uma harmonia social, mas elas não podem escravizar o ser humano ao ponto de serem mais importantes que o amor.

Por isso Jesus condena a atitude dos fariseus e afirma que Ele, como Deus, quer mais misericórdia do que sacrifícios.

O que adianta uma pessoa que faz inúmeros sacrifícios, impondo-se a cumprir uma determinação regra ou lei, mais não tem misericórdia para com seus irmãos.

Olhando para nossos dias atuais é como uma pessoa que se impõe por obediência ir a Igreja todos os domingos, participa da missa, se confessa pelo menos uma vez por ano, mas não tem misericórdia com seus irmãos, não tem nenhum ato de caridade para com as pessoas que estão ao seu lado.

De fato, ela cumpre o que a Igreja orienta, mas, devemos lembrar sempre o que Jesus nos disse: “Nem todo aquele que me diz: senhor, senhor, entrará no reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (São Mateus 7,21)

Fazer a vontade de Deus

O Evangelho de Jesus segundo São Mateus, no capítulo 12, do versículo 46 ao 50, narra o momento em que alguém avisa Jesus que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora. Jesus pergunta quem é sua mãe e seus irmãos e aponta para todos que estavam ao seu redor, afirmando que aquele que faz a vontade de Deus é sua mãe e seu irmão e sua irmã.

Este texto do Evangelho é muito conhecido e já gerou muitas discussões sobre a afirmação, mesmo que falsa e sem compreensão sobre os irmãos de Jesus.

Porém, o que me chama atenção neste texto é exatamente o versículo 50: “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.

Paremos para pensar um instante e responder a esta pergunta: eu me sinto irmão e irmã de Jesus Cristo? Eu faço a vontade de Deus-Pai?

As respostas aos dois questionamentos estão intimamente ligadas, pois uma depende da outra. Lembremos o que diz a Virgem Maria nas Bodas de Caná: “Fazei tudo que Ele, Jesus, vos disser”.

Aqui está cumprir a vontade de Deus-Pai, pois o que Ele nos pede é para que sejamos fiéis ao seu amor. Para que cumpramos o seu mandamento que resumiu em apenas dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

Fazer a vontade de Deus é seguir o exemplo da Virgem Maria quando, mesmo sem compreender bem o que estava acontecendo,  respondeu Sim ao projeto de Deus, confiando totalmente em Deus.

Será que nós confiamos em Deus a ponto de segui-lo totalmente, realizando em nossa a sua vontade e cada um deve compreender e perceber o que Deus lhe pede, pois a todos pede que nos amemos mutuamente, como ele nos amou e ama.

O julgamento e o seguimento de Cristo

No Evangelho de hoje (Mateus 11,20-24) Jesus Cristo fala sobre o julgamento das cidades, onde foram realizados seus milagres e elas não se tinham convertido. O texto é como toda Sagrada Escritura profundo, mas, destaco aqui o versículo 23, quando Jesus afirma que “Serás atirada até o inferno”, referindo-se a Cafarnaum, que mesmo presenciado os milagres de Cristo não se converteu e não o seguiu.

São palavras fortes, porém, podem ser ditas para nós, caso nossa opção seja em insistir em não seguir o Cristo. Conhecemos a Escritura, seus ensinamentos, suas promessas e todo o seu sacrifício e mesmo assim, preferimos seguir nosso caminho na direção contrária àquilo que Cristo nos ensina.

No dia do julgamento, Deus será justo, por isso, muitos que pensamos que estão condenados ao inferno estarão salvos e nós? Qual será nosso destino quando formos a julgamento? Cristo tem sido nossa opção diária ou vamos a Ele quando sentimos a necessidade de que Ele nos ajude?

Numa de suas cartas São Paulo nos alerta que: muitos serão julgados pela sua ignorância e outros serão julgados pelo conhecimento de Jesus Cristo e seus ensinamentos.

Assumir a nossa cruz ao testemunhar Cristo

Na leitura de hoje, Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (10,34-39) destaco dois versículos.

O primeiro, “Não julgueis que vim trazer a paz à terra, vim trazer não a paz, mas a espada” (34).

Neste versículo podemos fazer várias reflexões, sendo a principal delas, mais um anúncio do sofrimento que Cristo enfrentou. Mas, podemos também ter outro olhar, que trata especificamente da nossa adesão ao projeto de Jesus Cristo, ao fato de optarmos em ser discípulos /missionários, levando a sua mensagem em todos os ambientes.

Esta decisão nos leva também ao sofrimento, pois como vimos ao longo da história da Igreja, muitos cristãos morreram e ainda morrem em nome de Jesus Cristo.

O segundo versículo, “Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim” (38). Aqui podemos dizer que é a conclusão de todo chamado que Deus nos faz para segui-lo, amá-lo e testemunhar seu amor entre as nações, em todos os ambientes que vivemos, principalmente em nossa família.

Muitos de nós sabemos que não é fácil testemunhar o amor de Cristo e ser discípulo/missionário de Jesus nos ambientes que vivemos. Mas, como o próprio Jesus afirma: “Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim”.

Precisamos assumir e vivenciar também os sofrimentos, as frustrações, as tristezas, angustias, etc, etc. Se vivermos cada momento destes e mantendo-se fiel a Cristo, acredito que estamos nos caminho certo. Um caminho que não é fácil, mas prazeroso, pois nossa opção e testemunho é por alguém que vale a pena e que nunca nos abandona ou nos trai.

Sejamos fiéis ao Cristo e assumamos a nossa cruz nesta caminhar com ele.

Evangelho: São Mateus 10,1-7

Da leitura do Evangelho da leitura de hoje, tiro este trecho do versículo oitavo “De graça recebestes, de graça deveis dar!” para que possamos refletir sobre o que recebemos de Jesus Cristo.

Temos muitos dons que recebemos de Deus gratuitamente e como estamos fazendo para retribuir a esta generosidade do Senhor.

Os dons são diversificados e em cada pessoa se manifesta de uma forma diferente, sendo que cada um, como Jesus mesmo no disse que devemos multiplicar os talentos recebidos.

Se recebemos de graça, de graça devemos coloca-los a serviço da comunidade que vivemos para que possamos criar um mundo verdadeiramente cristão.